Entenda-se que ser ético não está relacionado diretamente ao certo ou errado, mas com o que é justo. E nem sempre o que é justo e o correto, mas é o essencial para se manter certa ordem na sociedade. Então como pensar em ética nesse tipo de organização? Onde o não nem sempre é não ou quase sempre pode representar um talvez. Onde o malando representa um ícone nacional, uma referência de estilo de vida.
Tendo em vista essa nossa dificuldade visceral em cumprir regras, leis e afins, então, talvez, através de uma pequena comparação, consigamos entender um pouco daquilo que chamo de “ética tupiniquim”.
Certamente que a maioria de nós, brasileiros, concordamos que matar não é ético, exceto em legítima defesa, é claro, que corresponde a um ato extremo diante da ameaça da própria vida, então levando em consideração esse fato, podemos concluir que defender seus interesses (nesse caso entenda-se interesses como o desejo de manter-se vivo ou auto-preservação) em detrimento da regra de não matar, se tornou uma coisa ética, sofreu uma mutação de acordo com uma necessidade específica, de interesse pessoal.
Agora, se aplicarmos o mesmo conceito em proporções bem menores, teremos o mesmo instinto de defesa agindo de maneira menos drástica, mas não menos eficiente, através dos mecanismos vistos no início do texto. Portanto todas as vezes que nos sentimos ameaçados por um sistema burocrático, um funcionário transmutado em seu cargo ou uma simples lei, nosso mecanismo de defesa made in Brazil entra em ação, dando início ao processo de mutação da ética universal para a “ética tupiniquim”, nos permitido agir de maneira legítima, sem culpa, e sobreviver no país da malandragem e do Carnaval.

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putz... o texto que escrevi deu pau :(
ResponderExcluirMuito bom o post!
Interessante isso! Infelizmente (ou felizmente) a "falta de ética" não é exclusiva no Brasil, ou países pobres. A Ética, na verdade, não está diretamente ligada a cultura, situação financeira, educação e muitas das vezes nem religião.
ResponderExcluirExistem aqueles individuos que fazem o que é certo apenas por obediencia ou punição. Esses 80% são marginais.
Num 2º estágio tem aqueles que agem conforme interesses pessoais, o famoso egoista. No 3º, estão os que fazem pelo interesse do grupo, ou "eu faço porque todo mundo faz".
Só então que vem os do 4º estágio, aqueles que seguem a risca as leis e regras da sociedade.
Com esses estágios formamos uma pirâmide onde no topo ainda entram os que pensam acima da justiça, pensam no que é cert! Não por interesse proprio, mas por ética. Nesse 5º estágio encontramos os emocionalmente amadurecidos que são capazes de se pôr no lugar dos outros.
A má noticia é que nesse ultimo estágio apenas 3-5% de toda humanidade consegue chegar.