É bem mais fácil desistir, mais suave, mais simples. Porque lutar é difícil, ter que levantar a cabeça todos os dias e acreditar que as coisas irão melhorar. Mais fácil e abandonar seus planos e caminhar por onde você nunca quis andar.
(True Love – Soldiers of Jah Army)
In a time of plenty, Jah gonna keep me strong.
Things get how and I keep cool, yeah,
Jah gonna keep me strong.
When I n' I cup is empty,
Jah gonna keep I strong.
When I n' I cup is full, yeah,
Jah keep I from their temptation.
... palavras que não escrevi.
sexta-feira, 21 de maio de 2010
quinta-feira, 11 de março de 2010
Chico
Ele acordou cedo sentindo o cheio do café quentinho que sua mulher acabara de preparar no fogão a lenha, enquanto o frio da manhã úmida lhe dava uma sensação de aconchego. Lutou por alguns minutos com a vontade de permanecer ali deitado em sua cama, enrolado em seus lençóis rústicos, respirou fundo e levantou-se.
Mais um dia de luta começava naquele instante, mais uma batalha a ser vencida, sim ele era um vencedor, era o que todos lhe diziam, garoto nascido em Xapuri filho de seringueiro e que só aprendeu a ler aos 20 anos de idade, hoje ele era um homem reconhecido e respeitado no mundo todo, por sua coragem e ousadia ao enfrentar os poderosos latifundiários da Amazônia. Para alguns ele era um ambientalista, para outros um sindicalista, mas ele se definia apenas como um simples seringueiro defendendo o seu pão de cada dia.
Pegou a toalha que estava esta em cima de uma cadeira do lado esquerdo da velha cama de casal, calçou seus chinelos de couro e saiu em direção à cozinha. Ao chegar à porta parou, observou sua companheira por alguns segundos enquanto ela colocava sobre a mesa uma toalha fina na cor vermelha, depois caminhou lentamente até ela e lhe deu um beijo, acariciando-lhe os cabelos, perguntou pelas crianças e recebeu um olhar indicador como resposta. Sem falar mais nada foi até a porta que dava acesso ao quintal, retirou as trancas que a cerrava e finalmente a abriu.
Naquele instante ele pôde sentir o sol em seu rosto e ouvir um forte barulho seguido por um intenso calor em seu peito, pôde ouvir também um grito feminino e o choro de suas crianças. Viu sobre si o vermelho da tolha de mesa, ouviu os gritos de ordem das diversas manifestações que participara em defesa da floresta. Viu auditórios lotados e atentos esperando por suas palavras. Viu a cadeia, amigos, alegrias, tristezas. Viu o mundo inteiro engajado para salvar a sua casa, a sua mata. Ouviu o silêncio das autoridades brasileiras... Depois não ouviu mais nada.
Fitou finalmente seu olhar nas copas das árvores perguntado em seu íntimo se tudo que tinha feito e vivido até aquele momento tinha valido a pena e imediatamente recebeu sua resposta ecoada pela floresta na voz agradecida da mãe natureza. Tudo valerá a pena, se a alma não for pequena.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Mais um dia de luta começava naquele instante, mais uma batalha a ser vencida, sim ele era um vencedor, era o que todos lhe diziam, garoto nascido em Xapuri filho de seringueiro e que só aprendeu a ler aos 20 anos de idade, hoje ele era um homem reconhecido e respeitado no mundo todo, por sua coragem e ousadia ao enfrentar os poderosos latifundiários da Amazônia. Para alguns ele era um ambientalista, para outros um sindicalista, mas ele se definia apenas como um simples seringueiro defendendo o seu pão de cada dia.
Pegou a toalha que estava esta em cima de uma cadeira do lado esquerdo da velha cama de casal, calçou seus chinelos de couro e saiu em direção à cozinha. Ao chegar à porta parou, observou sua companheira por alguns segundos enquanto ela colocava sobre a mesa uma toalha fina na cor vermelha, depois caminhou lentamente até ela e lhe deu um beijo, acariciando-lhe os cabelos, perguntou pelas crianças e recebeu um olhar indicador como resposta. Sem falar mais nada foi até a porta que dava acesso ao quintal, retirou as trancas que a cerrava e finalmente a abriu.
Naquele instante ele pôde sentir o sol em seu rosto e ouvir um forte barulho seguido por um intenso calor em seu peito, pôde ouvir também um grito feminino e o choro de suas crianças. Viu sobre si o vermelho da tolha de mesa, ouviu os gritos de ordem das diversas manifestações que participara em defesa da floresta. Viu auditórios lotados e atentos esperando por suas palavras. Viu a cadeia, amigos, alegrias, tristezas. Viu o mundo inteiro engajado para salvar a sua casa, a sua mata. Ouviu o silêncio das autoridades brasileiras... Depois não ouviu mais nada.
Fitou finalmente seu olhar nas copas das árvores perguntado em seu íntimo se tudo que tinha feito e vivido até aquele momento tinha valido a pena e imediatamente recebeu sua resposta ecoada pela floresta na voz agradecida da mãe natureza. Tudo valerá a pena, se a alma não for pequena.

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
O Encontro
Quando Julio resolveu voltar para casa, já era quase noite, a roupa coberta de lama e suor denunciava sem rodeios a tarde divertida que passara jogando futebol na chuva. Andava mancando por causa da entrada dura de um zagueiro desatento. Ele também sabia que logo as dores musculares começariam a aparecer, pois não era nem um exemplo de atleta o que não o desanimava nem lhe tirava o desejo de jogar novamente, mas apesar da dor, ele mantinha um contagiante sorriso de satisfação em seu rosto.
Ao chegar a sua casa atravessou um estreito corredor lateral e entrou pela porta dos fundos, completamente exausto, respirou profundamente e bem de vagar, foi quando percebeu que havia esquecido alguma coisa muito importante só não sabia dizer qual era, e se realmente era tão importante assim, tirou a camisa e desabou no frio chão da cozinha onde ficou por algum tempo observando as pequenas imperfeições do forro de gesso que revestia o teto, motivo suficiente para que ele divagasse sobre sua vida e as pequenas e grandes falhas que cometera até então.
Levantou-se preguiçosamente no mesmo momento em que decidiu tomar um banho, caminhou para o quarto e olhou diretamente para o criado mudo onde estrategicamente colocara a foto de sua noiva em porta retratos bastante discreto, porém elegante. Ele não entedia muito bem como uma foto podia lhe trazer uma alegria tão repentina, talvez fosse o sorriso cativante estampado naquela figura. Foi tomar banho, passou minutos incontáveis embaixo do chuveiro recebendo o açoite de água fria, saiu do banho sem pressa e olhou mais uma vez para a foto, fixou seus olhos no sorriso e um profundo desespero tomou conta de si.
Finalmente lembrou-se da coisa muito importante que havia esquecido. Lembrou-se que havia marcado um encontro com sua noiva exatamente às 17 horas. Olhou ansiosamente para o relógio e teve a certeza daquilo que era apenas uma dúvida, estava muito atrasado, mais ou menos umas 2 horas: Ela vai comer meu fígado! Pensou em voz alta enquanto pegava as roupas de seu armário. Arrumou-se desajeitadamente a caminho do carro e saiu o mais rápido que podia, tomando a avenida principal como rota mais curta entre a sua casa e a de sua noiva.
No caminho refletia sobre como uma pessoa de sorriso tão cativante podia se tornar um monstro comedor de fígados em questão segundos. Sorriu meio sem jeito e repreendeu a si mesmo pelo pensamento bobo, quando o que deveria fazer era arranjar uma boa desculpa para o atraso. Achou estranho o fato dela não haver ligado uma única vez, pegou celular para verificar as chamadas não atendidas, foi quando notou que ele estava desligado: Sou um homem morto! Murmurou inconformado. Ela deve ter ligado uma centena de vezes!
O trânsito caminhava lento devido a um acidente, um caminhão que transportava alimentos havia tombado cerca de 300 metros a sua frente, a população avançava feroz sobre os produtos espalhados pelo chão da rodovia enquanto meia dúzia de policiais tentava conter inutilmente o saque. Julio não pensou duas vezes antes de subir o canteiro central a fim de buscar outro caminho que o levasse a seu destino o mais rápido possível. Ao final da manobra ele ouviu o apito do agente de transito o qual só viu pelo retrovisor: Era só o que faltava, uma multa! Pisou fundo e seguiu para o seu destino.
Subiu correndo as escadas que levavam ao apartamento de sua noiva, ainda não havia pensado em nenhuma desculpa satisfatória que justificasse sua falha. Quase sem ar e com a cabeça baixa ele parecia pronto para receber o castigo de seu carrasco, parou em frente à porta e tocou a campainha varias vezes sem obter resposta. Ainda ofegante levantou a cabeça e notou que havia um bilhete com o seu nome pregado na porta, sem cerimônias leu o recado que estava endereçado a ele:
Amor, consegui uma vaga naquele salão de beleza disputadíssimo que te falei, liguei varias vezes para desmarcar o nosso encontro, mas o seu celular estava desligado. Me liga assim que você puder. Te amo.
P.S: Vamos sair mais tarde, minha amiga disse que tem um novo sushi bar na cidade e que ele é ótimo.
Julio encostou de costas na parede do corredor e deslizou devagar até o chão, respirou devagar, olhou para o teto e observou calmamente suas imperfeições, ligou o aparelho celular, buscou o numero de sua noiva, colocou a mão esquerda no chão e gargalhou feito criança.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.
Ao chegar a sua casa atravessou um estreito corredor lateral e entrou pela porta dos fundos, completamente exausto, respirou profundamente e bem de vagar, foi quando percebeu que havia esquecido alguma coisa muito importante só não sabia dizer qual era, e se realmente era tão importante assim, tirou a camisa e desabou no frio chão da cozinha onde ficou por algum tempo observando as pequenas imperfeições do forro de gesso que revestia o teto, motivo suficiente para que ele divagasse sobre sua vida e as pequenas e grandes falhas que cometera até então.
Levantou-se preguiçosamente no mesmo momento em que decidiu tomar um banho, caminhou para o quarto e olhou diretamente para o criado mudo onde estrategicamente colocara a foto de sua noiva em porta retratos bastante discreto, porém elegante. Ele não entedia muito bem como uma foto podia lhe trazer uma alegria tão repentina, talvez fosse o sorriso cativante estampado naquela figura. Foi tomar banho, passou minutos incontáveis embaixo do chuveiro recebendo o açoite de água fria, saiu do banho sem pressa e olhou mais uma vez para a foto, fixou seus olhos no sorriso e um profundo desespero tomou conta de si.
Finalmente lembrou-se da coisa muito importante que havia esquecido. Lembrou-se que havia marcado um encontro com sua noiva exatamente às 17 horas. Olhou ansiosamente para o relógio e teve a certeza daquilo que era apenas uma dúvida, estava muito atrasado, mais ou menos umas 2 horas: Ela vai comer meu fígado! Pensou em voz alta enquanto pegava as roupas de seu armário. Arrumou-se desajeitadamente a caminho do carro e saiu o mais rápido que podia, tomando a avenida principal como rota mais curta entre a sua casa e a de sua noiva.
No caminho refletia sobre como uma pessoa de sorriso tão cativante podia se tornar um monstro comedor de fígados em questão segundos. Sorriu meio sem jeito e repreendeu a si mesmo pelo pensamento bobo, quando o que deveria fazer era arranjar uma boa desculpa para o atraso. Achou estranho o fato dela não haver ligado uma única vez, pegou celular para verificar as chamadas não atendidas, foi quando notou que ele estava desligado: Sou um homem morto! Murmurou inconformado. Ela deve ter ligado uma centena de vezes!
O trânsito caminhava lento devido a um acidente, um caminhão que transportava alimentos havia tombado cerca de 300 metros a sua frente, a população avançava feroz sobre os produtos espalhados pelo chão da rodovia enquanto meia dúzia de policiais tentava conter inutilmente o saque. Julio não pensou duas vezes antes de subir o canteiro central a fim de buscar outro caminho que o levasse a seu destino o mais rápido possível. Ao final da manobra ele ouviu o apito do agente de transito o qual só viu pelo retrovisor: Era só o que faltava, uma multa! Pisou fundo e seguiu para o seu destino.
Subiu correndo as escadas que levavam ao apartamento de sua noiva, ainda não havia pensado em nenhuma desculpa satisfatória que justificasse sua falha. Quase sem ar e com a cabeça baixa ele parecia pronto para receber o castigo de seu carrasco, parou em frente à porta e tocou a campainha varias vezes sem obter resposta. Ainda ofegante levantou a cabeça e notou que havia um bilhete com o seu nome pregado na porta, sem cerimônias leu o recado que estava endereçado a ele:
Amor, consegui uma vaga naquele salão de beleza disputadíssimo que te falei, liguei varias vezes para desmarcar o nosso encontro, mas o seu celular estava desligado. Me liga assim que você puder. Te amo.
P.S: Vamos sair mais tarde, minha amiga disse que tem um novo sushi bar na cidade e que ele é ótimo.
Julio encostou de costas na parede do corredor e deslizou devagar até o chão, respirou devagar, olhou para o teto e observou calmamente suas imperfeições, ligou o aparelho celular, buscou o numero de sua noiva, colocou a mão esquerda no chão e gargalhou feito criança.

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Depois
Podia sentir o cheiro do mato molhado e da umidade em toda parte. De olhos fechados tentando aumentar a capacidade de percepção dos outros sentidos, permanecia inteiramente imóvel à espera que alguma coisa acontecesse.
Os pés cobertos por uma mistura de lama e musgo permitia o passeio tranqüilo de vermes e alguns insetos, mas sem causar qualquer tipo de asco ou incomodo, ao invés disso, sentiu a vida se renovando através de seu ciclo natural. O frio tornou-se um companheiro fiel por alguns instantes, mas logo desapareceu.
O olfato percebeu por instantes o perfume fúnebre das flores que foram depositadas em algum lugar que não podia ver. O gosto do sangue também desapareceu durante os minutos seguintes. O som das gotas feitas de água e sal parecia uma percussão ritmada ao atingir o solo revirado, mas isso também durou pouco.
A luz não fazia falta, aliás, nunca fez, bastava apenas a compreensão da escuridão. Depois disso nada aconteceu.

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Os pés cobertos por uma mistura de lama e musgo permitia o passeio tranqüilo de vermes e alguns insetos, mas sem causar qualquer tipo de asco ou incomodo, ao invés disso, sentiu a vida se renovando através de seu ciclo natural. O frio tornou-se um companheiro fiel por alguns instantes, mas logo desapareceu.
O olfato percebeu por instantes o perfume fúnebre das flores que foram depositadas em algum lugar que não podia ver. O gosto do sangue também desapareceu durante os minutos seguintes. O som das gotas feitas de água e sal parecia uma percussão ritmada ao atingir o solo revirado, mas isso também durou pouco.
A luz não fazia falta, aliás, nunca fez, bastava apenas a compreensão da escuridão. Depois disso nada aconteceu.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
ENCANTO
Condenado em meio a Grande ruina,
Temo a sombra que traz a esperança
Apresentada na forma de pequena criança
Combatendo em fúria a sinistra paisagem
Tomada por gestos de sublime enredo
Fascinando o desespero da treva o pranto.
Rodopiando veloz em seu minimo eixo.
Sem a sombra do medo ou outro desencanto
Conduzindo a suave dança de frágeis flamas,
Sob a noite influente da lua em chama.
Espetáculo traduzido na atitude da infância
Submetido por simétricos passos de alegria.
Revelando a beleza da arte que encanta.
Imagem figurada ministrando delirio e fantasia,
Que sob violênta rubra chuva encena,
Desejos e devaneios em disforme harmonia.
No mais triste dia por entre escombros.
Convertendo o infindavel choro em melodia
Reconstruindo sonhos antes sepultados.
Faz da formosa luz consolo e poesia
Mostrando agora seu delicado canto,
Embalando os passos da nova dança
Conduz à vida esperança, uma nova alegria.
Toy Ferreira

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Temo a sombra que traz a esperança
Apresentada na forma de pequena criança
Combatendo em fúria a sinistra paisagem
Tomada por gestos de sublime enredo
Fascinando o desespero da treva o pranto.
Rodopiando veloz em seu minimo eixo.
Sem a sombra do medo ou outro desencanto
Conduzindo a suave dança de frágeis flamas,
Sob a noite influente da lua em chama.
Espetáculo traduzido na atitude da infância
Submetido por simétricos passos de alegria.
Revelando a beleza da arte que encanta.
Imagem figurada ministrando delirio e fantasia,
Que sob violênta rubra chuva encena,
Desejos e devaneios em disforme harmonia.
No mais triste dia por entre escombros.
Convertendo o infindavel choro em melodia
Reconstruindo sonhos antes sepultados.
Faz da formosa luz consolo e poesia
Mostrando agora seu delicado canto,
Embalando os passos da nova dança
Conduz à vida esperança, uma nova alegria.
Toy Ferreira

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Ágape
“Eu quero a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”. Cazuza traduziu perfeitamente em seus versos tudo aquilo que procuramos, mas geralmente não reconhecemos quando o encontramos. Para nós, seres egoístas e passionais por natureza, sempre haverá o que melhorar. Um toquezinho aqui outro ali, coisinha básica só para ficar de acordo com o gosto do cliente.
Procuramos por amor como se procura por uma mercadoria, uma roupa que não ficou bem ajustada, mas com um ligeiro retoque, pronto fica perfeita. Procuramos o amor em seres mágicos, semideuses da perfeição, que nos compreendam, façam nossas vontades e que nos amem de tal forma, que não pensariam duas vezes em viver uma vida de sacrifícios por nós. Procuramos por um presente divino.
Esquecemos de procurar o amor nos seres humanos, cheios de defeitos, vícios, manias e vontades egoístas como as nossas, mortais com dias bons e ruins, seres pensantes com personalidades distintas que às vezes precisam de tempo pra ficar sozinhos, que não vivam integralmente em função de outra pessoa, mas que sejam vivos de verdade.
Procuramos por tudo aquilo que não somos capazes de oferecer, procuramos pelo amor ágape em simples mortais.
E se por acaso o seu amor encontrar, deixe que ele seja do jeito que for, não lhe coloque algemas ou limites, não tente moldá-lo para o seu contentamento, não o torne sua marionete, suplico que não o transforme, não faça ajustes, mas permita que exista exatamente do jeito que é. E jamais peça sacrifícios de espécie alguma como prova de amor, pois não há felicidade nisso, mas conceda compreensão e peça somente o que puder dar, pois só assim serão felizes.
Tony Ferreira

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Procuramos por amor como se procura por uma mercadoria, uma roupa que não ficou bem ajustada, mas com um ligeiro retoque, pronto fica perfeita. Procuramos o amor em seres mágicos, semideuses da perfeição, que nos compreendam, façam nossas vontades e que nos amem de tal forma, que não pensariam duas vezes em viver uma vida de sacrifícios por nós. Procuramos por um presente divino.
Esquecemos de procurar o amor nos seres humanos, cheios de defeitos, vícios, manias e vontades egoístas como as nossas, mortais com dias bons e ruins, seres pensantes com personalidades distintas que às vezes precisam de tempo pra ficar sozinhos, que não vivam integralmente em função de outra pessoa, mas que sejam vivos de verdade.
Procuramos por tudo aquilo que não somos capazes de oferecer, procuramos pelo amor ágape em simples mortais.
E se por acaso o seu amor encontrar, deixe que ele seja do jeito que for, não lhe coloque algemas ou limites, não tente moldá-lo para o seu contentamento, não o torne sua marionete, suplico que não o transforme, não faça ajustes, mas permita que exista exatamente do jeito que é. E jamais peça sacrifícios de espécie alguma como prova de amor, pois não há felicidade nisso, mas conceda compreensão e peça somente o que puder dar, pois só assim serão felizes.
Tony Ferreira

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010
CARCASSE
Sem grandes esperanças,
Direção ou confiança.
Simples, passivo derrotado
Destino afligido o aguarda
Em lágrima qualquer
Perdida pelos cantos,
Precipitada ao chão,
Por descuido desumano.
Soluço ritimado,
Acompanhando o fracasso.
Desespero ruidoso,
Lembrança do passado.
Forma flor resquicio,
Perfume inconfundivel.
No mórbido jardim esquecido,
Perambula alma do cativo.
Olhar solitário perdido,
Em meio aos silenciosos gemidos.
Fontes vazias de água e sal.
Morto-vivo.
Buscando abrigo vazio.
Horrenda figura espectral.
Tony Ferreira.

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Direção ou confiança.
Simples, passivo derrotado
Destino afligido o aguarda
Em lágrima qualquer
Perdida pelos cantos,
Precipitada ao chão,
Por descuido desumano.
Soluço ritimado,
Acompanhando o fracasso.
Desespero ruidoso,
Lembrança do passado.
Forma flor resquicio,
Perfume inconfundivel.
No mórbido jardim esquecido,
Perambula alma do cativo.
Olhar solitário perdido,
Em meio aos silenciosos gemidos.
Fontes vazias de água e sal.
Morto-vivo.
Buscando abrigo vazio.
Horrenda figura espectral.
Tony Ferreira.

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