Procuramos por amor como se procura por uma mercadoria, uma roupa que não ficou bem ajustada, mas com um ligeiro retoque, pronto fica perfeita. Procuramos o amor em seres mágicos, semideuses da perfeição, que nos compreendam, façam nossas vontades e que nos amem de tal forma, que não pensariam duas vezes em viver uma vida de sacrifícios por nós. Procuramos por um presente divino.
Esquecemos de procurar o amor nos seres humanos, cheios de defeitos, vícios, manias e vontades egoístas como as nossas, mortais com dias bons e ruins, seres pensantes com personalidades distintas que às vezes precisam de tempo pra ficar sozinhos, que não vivam integralmente em função de outra pessoa, mas que sejam vivos de verdade.
Procuramos por tudo aquilo que não somos capazes de oferecer, procuramos pelo amor ágape em simples mortais.
E se por acaso o seu amor encontrar, deixe que ele seja do jeito que for, não lhe coloque algemas ou limites, não tente moldá-lo para o seu contentamento, não o torne sua marionete, suplico que não o transforme, não faça ajustes, mas permita que exista exatamente do jeito que é. E jamais peça sacrifícios de espécie alguma como prova de amor, pois não há felicidade nisso, mas conceda compreensão e peça somente o que puder dar, pois só assim serão felizes.
Tony Ferreira

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