quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

ENCANTO

Condenado em meio a Grande ruina,
Temo a sombra que traz a esperança
Apresentada na forma de pequena criança
Combatendo em fúria a sinistra paisagem
Tomada por gestos de sublime enredo
Fascinando o desespero da treva o pranto.
Rodopiando veloz em seu minimo eixo.
Sem a sombra do medo ou outro desencanto
Conduzindo a suave dança de frágeis flamas,
Sob a noite influente da lua em chama.
Espetáculo traduzido na atitude da infância
Submetido por simétricos passos de alegria.
Revelando a beleza da arte que encanta.
Imagem figurada ministrando delirio e fantasia,
Que sob violênta rubra chuva encena,
Desejos e devaneios em disforme harmonia.
No mais triste dia por entre escombros.
Convertendo o infindavel choro em melodia
Reconstruindo sonhos antes sepultados.
Faz da formosa luz consolo e poesia
Mostrando agora seu delicado canto,
Embalando os passos da nova dança
Conduz à vida esperança, uma nova alegria.

Toy Ferreira

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Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Ágape

“Eu quero a sorte de um amor tranqüilo, com sabor de fruta mordida”. Cazuza traduziu perfeitamente em seus versos tudo aquilo que procuramos, mas geralmente não reconhecemos quando o encontramos. Para nós, seres egoístas e passionais por natureza, sempre haverá o que melhorar. Um toquezinho aqui outro ali, coisinha básica só para ficar de acordo com o gosto do cliente.

Procuramos por amor como se procura por uma mercadoria, uma roupa que não ficou bem ajustada, mas com um ligeiro retoque, pronto fica perfeita. Procuramos o amor em seres mágicos, semideuses da perfeição, que nos compreendam, façam nossas vontades e que nos amem de tal forma, que não pensariam duas vezes em viver uma vida de sacrifícios por nós. Procuramos por um presente divino.

Esquecemos de procurar o amor nos seres humanos, cheios de defeitos, vícios, manias e vontades egoístas como as nossas, mortais com dias bons e ruins, seres pensantes com personalidades distintas que às vezes precisam de tempo pra ficar sozinhos, que não vivam integralmente em função de outra pessoa, mas que sejam vivos de verdade.

Procuramos por tudo aquilo que não somos capazes de oferecer, procuramos pelo amor ágape em simples mortais.

E se por acaso o seu amor encontrar, deixe que ele seja do jeito que for, não lhe coloque algemas ou limites, não tente moldá-lo para o seu contentamento, não o torne sua marionete, suplico que não o transforme, não faça ajustes, mas permita que exista exatamente do jeito que é. E jamais peça sacrifícios de espécie alguma como prova de amor, pois não há felicidade nisso, mas conceda compreensão e peça somente o que puder dar, pois só assim serão felizes.

Tony Ferreira

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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

CARCASSE

Sem grandes esperanças,
Direção ou confiança.
Simples, passivo derrotado
Destino afligido o aguarda
Em lágrima qualquer
Perdida pelos cantos,
Precipitada ao chão,
Por descuido desumano.
Soluço ritimado,
Acompanhando o fracasso.
Desespero ruidoso,
Lembrança do passado.
Forma flor resquicio,
Perfume inconfundivel.
No mórbido jardim esquecido,
Perambula alma do cativo.
Olhar solitário perdido,
Em meio aos silenciosos gemidos.
Fontes vazias de água e sal.
Morto-vivo.
Buscando abrigo vazio.
Horrenda figura espectral.

Tony Ferreira.

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