segunda-feira, 2 de maio de 2011

Despedida


Saudade... Palavrinha pequena que só existe aqui,
Saudade que às vezes dói e até arde.
Saudade de um dia de sol,
Do banho de chuva, do vento no rosto e até do docinho de coco.
Tem saudade feliz, aquela explodindo de contente,
Que tantas vezes aproxima a gente.
Saudade de quem tá perto,
Saudade de quem não está tão perto assim.
Mas o que dói mesmo é a saudade de quem lá longe,
Distante do abraço.
Saudade malvada de quem agente quer bem.
Saudade cruel, de quem te faz feliz.
Simplesmente por ser assim, feliz...
Saudade que cresce não desaparece
E deixa no peito o vazio de quem partiu,
Mas continua aqui pertinho de mim.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 1 de março de 2011

Alegria

Madrugada chega

Sonho que parte

Na Tua presença

Apenas um covarde

Ergue-me pelos braços

Derrama tua voz

Do coração cansado

Desata todos os nós

De joelhos dobrados

Oração tímida

Soluços compassados

Um sorriso de vida

Alento esperado

Mudança que finda

Não sou mais meu pecado

Mas fruto de alegria


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Obrigado

Se faço é porque amo
Sem nada esperar
Me dou por alegria
Por um sorriso no olhar
E desse jeito meio sem jeito
Sem saber como parar
Me perco em tantos sonhos
É só assim que sei amar

Sem o prêmio na chegada
nem o beijo encantador
Um carinho já me basta
Já faz de mim um vencedor.

E nos passos que me afastaram
Lentos, mas não delicados
De olhos fixos na saída
Um tapa no ombro
Uma faísca
Sem direção, meio deslocado.
E a imensa dor de um obrigado.



Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Vidas (Compasso)

Sorrisos descontraídos

Em meio a beijos e abraços infinitos

Promessas para um dia qualquer

Corações abertos e completamente despidos

Contentamento desmedido de mesmo sentido


Necessidade de um toque de carinho

Pensamentos soltos e desconexos

Sonhos reprimidos em conversas sem sentido

Barulho e lágrimas de sentimentos complexos

Direções opostas de um mesmo caminho


Luzes artificiais conduzindo os passos

Iluminando-os até ficarem perdidos

Razões duras, firmes como o aço

Sentimentos esmagados para sempre contidos

Frases estranhas de um mesmo livro


Traições infames

Culpa repleta de dor e desilusão

Inferno que fora concedido a Dante

Deixando feridas abertas no coração

Perdão e lágrimas em uma única direção


Recomeço insano quase profano

Regras tortas por razões inglórias

Mais uma vez o medo e o pranto

Os mesmos versos de uma mesma história

Calafrio na espinha no findar da hora


...


Esperança insistente que implora

Razão inconveniente não se move

Oração oposta que se renova

Confissões ocultas nos comovem

Encontros insanos nos incomodam


Decisões erradas e sem sentido

Distância que não traz notícia

Mente dispersa no vazio

Fria atitude que vicia

Mesmos erros de um mesmo motivo


Findam-se os laços

Corações separados, porém envolvidos

Almas opostas presas em um único compasso

Consolo sincero como simples amigos

Novos rumos e outros destinos


No dado momento ajuda honesta

Para um renovado compromisso

Ressurge a esperança em uma nova era

Lembrança saudosa guardada no intimo

E nos corações resta o amor nunca esquecido


U2 - Electrical Storm

http://www.youtube.com/watch?v=K0adFYuNuns


Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Banho de Chuva.

Logo que ouviu os primeiro pingos transformarem o telhado em um grande instrumento de percussão, Julio atravessou o corredor com uma velocidade olímpica, abriu a porta e se entregou ao açoite gelado da chuva que despencava durante madrugada, o cheiro do mato molhado e o frio animador lhe transportava de volta a um momento qualquer da infância. Gargalhou ao lembrar-se da sua mãe gritando:

– Sai da chuva menino! Olha que tu vais pegar uma gripe.

Para uma criança, a preocupação de mãe nunca valerá mais que um momento de diversão.

Correu de um lado para o outro sem direção, várias vezes, sentia-se o dono da rua e depois de alguns minutos, esgotado pelo cansaço, parou para pegar fôlego. Suas roupas encharcadas pareciam que estavam pesando uma tonelada e em momento de insensatez tratou logo de livra-se delas, pronto agora sim se sentia verdadeiramente uma criança, correndo nu embaixo de uma chuva torrencial em plena madrugada de domingo.

Pena que os cachorros da vizinhança não achavam a mesma coisa, logo a sinfonia canina começou a embalar sua loucura. As luzes da vizinhança se acendiam uma a uma, janelas se abriam, portas eram destrancadas, olhares sonolentos se esforçavam para ver o que estava acontecendo, enquanto Julio apenas corria.

Uma sirene se fez soar a distância, som que o trouxe de seu sonho infantil. Pegou as roupas no chão e novamente com uma velocidade impressionante, entrou em casa, tomou um banho quente e dormiu até 10 da manhã, acordou inteiramente relaxado e satisfeito com sua aventura. Quinze minutos depois saiu para buscar o jornal e encontrou com os vizinhos comentando o estranho fato da madrugada, deixou escapar um leve sorriso pelo canto esquerdo da boca, cumprimentou a todos e entrou novamente para estender as roupas molhadas no varal e lembrou-se do quanto é bom voltar a ser criança.


Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

Daqui a pouco

Em um instante estarei lá, daqui a pouco a dor vai parar.

E a ferida não vai mais doer, como por milagre ela vai cicatrizar.

E quando eu for me arrastando pra casa. Você estará lá?

Daqui a pouco o coração vai bater mais devagar e em um instante eu estarei lá.

Meus passos desaceleram, enquanto você cresce.

É você cresceu. Ficou mais forte como nunca fora antes.

Quando a luz do dia se apagar e a noite tirar o meu fôlego.

Em um instante estarei lá, alimentando meu desejo de voar.

Um foguete me leva direto para o espaço fazendo meu coração desacelerar.

E se daqui a pouco alguém perguntar,

diga a todos que fui alcançar a minha estrela.

Aquela bem lá no alto que não para de brilhar,

A mesma que me atraiu pra longe da solidão.

Daqui a pouco o coração vai bater mais devagar e em um instante eu estarei lá.

Bem no alto com aquela que não vai parar de brilhar.

E com uma velocidade alucinante nos laçaremos contra a esfera azul,

Onde todos sonham em voar.

E em um instante eu estarei lá.

Por ela...

Aquela que é minha e não me deixa parar de brilhar.

Daqui a pouco o coração vai bater mais devagar e em um instante eu estarei lá.

Daqui a pouco ele vai desacelerar e eu estarei lá.

Daqui a pouco.


(Inspirado na canção - In na Little While - U2)

http://www.youtube.com/watch?v=wtVAJEAWnlU

Creative Commons License

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quando Tudo está Perdido

Ele acordou mais tarde do que o de costume naquela manhã. Estava tudo tão frio, sombrio e a tristeza que sentia não era passageira ele sabia disso, era mais forte, segura de si e o abraçou como uma mãe abraça seu filho. Mas estava tudo bem, afinal foi ele quem a escolheu.

Serrou os punhos e prendendo a respiração pediu com toda a força para que o dia logo partisse expeliu o ar de seus pulmões com violência, socou o colchão, mas ele não revidou e o dia continuou ali parado em um minuto eterno, respirou fundo mais uma vez fechou os olhos e deixou que as lembranças o consumissem.

Doía saber, mais do sentir. E a escuridão tomou conta da sua alma mais uma vez, enquanto a luz da esperança chegava ao fim. Não havia luz no fim do túnel, não daquela vez, agora tudo estava perdido. Ficou quieto por um longo tempo fingindo-se de morto esperando que a dor passasse, mas não passou. E ali sozinho, finalmente chorou e não soube se explicar porque estava se sentindo assim.

“É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?”


(Fragmento “A Via Láctea” - Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá)

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Quem quer viver para sempre?

Quando se acredita na eternidade a vida deixa de fazer sentido. Eduardo levantou-se e cumpriu a velha rotina matinal, enquanto aquela afirmativa martelava em sua cabeça, como um bate estacas, libertando seus pensamentos, nunca uma frase representara tão bem a idéia que consumira sua vida e seus pensamentos durante anos. Finalmente ele entendeu o motivo da sua angustia, ele encontrou uma resposta.

E a necessidade de obedecer às regras da sociedade foi consumida naquele momento que ele passou a chamar de lucidez. Estava contente em ser, mas não no existir, caminhou até a janela e olhou para o que acontecia do lado de fora de sua casa, de sua vida, e viu pessoas, cheias de propósitos e compromissos, pensou em como aquilo tudo era tão fugaz e em porque continuar preso nessa roda viva que não conduz a lugar algum.

Olhou para o céu e com um gesto alcançou o infinito, aliviado por não precisar explicar nada a mais ninguém, sentiu-se completo em si. Nada de família, trabalho, filhos ou amigos, nenhum desejo ou sonho, sentiu-se vazio e sorriu.

Com uma voz sussurrante deixou que as palavras escapassem por entre seus lábios: — Eu acredito na eternidade.

Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.