segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Quando Tudo está Perdido

Ele acordou mais tarde do que o de costume naquela manhã. Estava tudo tão frio, sombrio e a tristeza que sentia não era passageira ele sabia disso, era mais forte, segura de si e o abraçou como uma mãe abraça seu filho. Mas estava tudo bem, afinal foi ele quem a escolheu.

Serrou os punhos e prendendo a respiração pediu com toda a força para que o dia logo partisse expeliu o ar de seus pulmões com violência, socou o colchão, mas ele não revidou e o dia continuou ali parado em um minuto eterno, respirou fundo mais uma vez fechou os olhos e deixou que as lembranças o consumissem.

Doía saber, mais do sentir. E a escuridão tomou conta da sua alma mais uma vez, enquanto a luz da esperança chegava ao fim. Não havia luz no fim do túnel, não daquela vez, agora tudo estava perdido. Ficou quieto por um longo tempo fingindo-se de morto esperando que a dor passasse, mas não passou. E ali sozinho, finalmente chorou e não soube se explicar porque estava se sentindo assim.

“É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?”


(Fragmento “A Via Láctea” - Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá)

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